Análise da cobertura jornalística sobre o trabalho análogo à escravidão nos perfis G1 e Correio 24 Horas
Palavras-chave:
Cobertura Jornalística, Construção da Narrativa, Interseccionalidade, Análise de Conteúdo, Trabalho Análogo à EscravidãoResumo
Mesmo após mais de um século da abolição formal da escravidão, o Brasil ainda convive com práticas que configuram o trabalho análogo à escravidão. A presente pesquisa tem como objetivo problematizar as narrativas jornalísticas sobre o trabalho análogo à escravidão em notícias publicadas entre 2020 e 2024 nos portais G1 e Correio 24 Horas, buscando compreender de que forma essas construções discursivas dialogam com os direitos humanos, os valores democráticos e a formação da opinião pública. A metodologia utilizada foi exploratória, de natureza bibliográfica com análise de conteúdo das matérias e dos comentários dos leitores, segundo os critérios de enquadramento, padrão narrativo, uso de fontes, contextualização e intenção jornalística (Sampaio e Lycarião, 2021). Os resultados indicam que as vítimas retratadas são majoritariamente pessoas negras ou pardas, em profissões de baixa valorização social, o que reforça a permanência de estruturas raciais e econômicas herdadas do passado escravocrata. Verificou-se a ausência de voz direta das vítimas e limitada contextualização histórica, o que tende a enquadrar os casos como eventos isolados. Nos comentários dos leitores, prevalecem sentimentos de indignação, mas com baixo potencial de mobilização social. A discussão, à luz de autoras como Patrícia Hill Collins e Lélia Gonzalez, revela que raça, classe e gênero são dimensões interseccionais que estruturam a exploração laboral. Conclui-se que a forma como os veículos jornalísticos narram o trabalho análogo à escravidão influencia diretamente a percepção pública sobre o tema, podendo reforçar estigmas ou promover consciência crítica e engajamento social.
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