Cartas das crianças da Favela da Maré (RJ)
uma amostra do eficientismo penal e da relativização de garantias no Brasil
Palavras-chave:
Direito penal, Eficientismo penal, Criminologia crítica, Criminologia latino-americana, Violência policialResumo
O Direito Penal, na forma como foi instituído, a partir da promessa de primazia das liberdades e seguranças individuais, é uma construção teórico-legislativa que surgiu como forma de contrapor a essência discricionária que norteava sua aplicação durante o Absolutismo, período em que era estruturado a partir em práticas inquisitoriais. Entre as principais garantias que norteiam o direito e o processo penal, estão a presunção de inocência e a vedação de penas cruéis, bem como uma série de outras que já consolidadas na legislação brasileira como princípios processuais e constitucionais. No entanto, em tempos de governo de extrema-direita, o que tem se visto nas práticas e discursos relacionados à política criminal consolida uma violência social introjetada na “segurança”, como demonstrado no conteúdo das cartas encaminhadas pelas crianças moradoras da Favela da Maré, ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, nas quais relatam seu cotidiano cruel e sangrento. O discurso de governantes vem legitimando práticas distorcidas através da narrativa de “bandido bom é bandido morto”, contrariando muito daquilo que é posto como garantia universal e de direito. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo, através de uma metodologia dedutiva, partindo dos conceitos da Criminologia Crítica e da Criminologia Latino-americana, produzidos pelos marcos teóricos centrais Vera Regina Pereira de Andrade, Vera Malagutti Batista e Eugenio Raúl Zaffaroni. Cabe urgência em evidenciar que no realismo marginal brasileiro falamos muito menos em garantia do que falamos em violência.
Referências
ANDRADE, Vera Regina Pereira de. Sistema Penal Máximo x cidadania mínima: códigos da violência na era da globalização. 2. ed. rev. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2016.
______. Pelas mãos da criminologia: O controle penal para além da (des)ilusão. Rio de Janeiro: Revan, 2012.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA; FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (org.). Atlas da violência 2019. Brasília: Rio de Janeiro: São Paulo: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
BATISTA, Nilo. Introdução crítica ao direito penal brasileiro. Rio de Janeiro; Revan, 1990.
BATISTA, Vera Malaguti, 1955. Introdução crítica à criminologia brasileira/ Vera Malaguti Batista. Rio de Janeiro: Revan, 2011, 2. ed. julho de 2012, 2ª reimpressão, 2015.
BETIM, Felipe. As cartas das crianças da Maré. “Não gosto do helicóptero porque ele atira e as pessoas morrem”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/14/politica/1565803890_702531.html. Acesso em: 21 set. 2019.
OREINSTEIN, José. A morte de mais uma criança e a violência policial no Rio. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/09/21/A-morte-de-mais-uma-criança.-E-a-violência-policial-no-Rio. Acesso em: 22 set. 2019.
SANTOS, Juarez Cirino dos. As raízes do crime. Um estudo sobre as estruturas e as instituições da violência. Rio de Janeiro; Forense, 1984.
SOARES, Luiz Eduardo. Desmilitarizar: segurança pública e direitos humanos. 1. ed. São Paulo; Boitempo, 2019.
EM 1.500 cartas crianças da Maré pedem fim da violência e do caveirão. 2019. Disponível em: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2019-08-14/em-1500-cartas-criancas-da-mare-pedem-fim-da-violencia-e-do-caveirao-voador.html. Acesso em: 8 set. 2019.
ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Em busca das penas perdidas: a perda de legitimidade do sistema penal. Rio de Janeiro: Revan, 2010.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2020 Revista Avant

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Isso significa que é permitido:
1. Compartilhar: copiar e redistribuir o trabalho em qualquer suporte e formato.
2. Adaptar: remixar, transformar e criar a partir do trabalho.
Desde que:
1. Atribuição: a Revista seja creditada, indicando a licença utilizada e quaisquer modificações realizadas, sem sugerir que a Revista endossou o uso ou o(a/e/s) usuário(a/e/s) do trabalho.
2. NãoComercial: o conteúdo não seja utilizado para fins comerciais.
3. Sem Limites Adicionais: não sejam impostas restrições legais ou tecnológicas que impeçam outrem de realizar ações permitidas pela licença.
A Revista pode revogar tais direitos caso sejam desrespeitados os termos de licença.