O POTENCIAL DO BAMBU NA INTEGRAÇÃO ENTRE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL E INCLUSÃO PRODUTIVA EM TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS URBANOS

THE POTENTIAL OF BAMBOO FOR INTEGRATING ENVIRONMENTAL AWARENESS AND PRODUCTIVE INCLUSION IN PERIPHERAL URBAN AREAS

Autores

  • Bianca Carvalho de Carvalho UEMG - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS
  • Kátia Andréa Carvalhaes Pêgo UEMG - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS

DOI:

https://doi.org/10.29183/2447-3073.MIX2025.v11.n3.151-175

Palavras-chave:

Bambu, Barraca de feira, Comunidades periféricas urbanas, Autonomia produtiva, Sensibilização ambiental

Resumo

Este artigo tem como objetivo disseminar as potencialidades do bambu como matéria-prima para o desenvolvimento e produção de artefatos que contribuam para a vida produtiva e social em comunidades periféricas urbanas. A pesquisa, realizada no âmbito do mestrado em design, foi conduzida nas comunidades do Confisco e do Coqueiros, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, caracterizadas pela alta vulnerabilidade socioeconômica. Identificou-se que as artesãs locais enfrentavam dificuldades para comercializar seus produtos devido ao elevado custo do aluguel das barracas de feira tradicionais. Diante desse contexto, foi desenvolvida uma barraca a partir dos princípios do ecodesign, utilizando-se o bambu Phyllostachys aurea, com as seguintes características: baixo custo, desmontável, compacta, durável, de fácil montagem e capaz de ser produzida com ferramentas simples pelas próprias artesãs. O projeto incluiu oficinas de capacitação em técnicas artesanais de bambuzeria para a manufatura das barracas, promovendo o aprendizado e o empoderamento das participantes. Apesar de ainda estar em andamento, os resultados parciais indicam que a iniciativa pode promover a sensibilização ambiental, a formação crítica e o fortalecimento comunitário, além de ampliar a autonomia produtiva e econômica das artesãs, especialmente entre mulheres negras, periféricas e com baixa escolaridade formal.

Biografia do Autor

  • Bianca Carvalho de Carvalho, UEMG - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS

    Arquiteta e urbanista, formada pela Universidade Estadual de Londrina, UEL, em Londrina - PR. Durante a graduação participou do projeto de pesquisa A metodologia de Robert Venturi aplicada ao ensino de história da arquitetura brasileira, e foi representante da pesquisa no exterior durante a sua graduação complementar na École Nationale Supérieure dArchitecture de Toulouse, ENSA, na França. Realizou estágios em escritório de arquitetura e em construtora, mas foi nos estudos iniciados na graduação sobre a arquitetura orgânica e bioconstrução com foco no bambu, que concorreu ao 28º Opera prima com seu trabalho de conclusão de curso, Princípios da Bioarquitetura: hostel em Cananéia, SP, no ano de 2017. Desde a sua formação, se aprofundou nos conhecimentos da bioconstrução, realizando cursos e trabalhando como arquiteta em escritório com foco na arquitetura orgânica na Bahia, e atualmente trabalha no estúdio Mabi desenvolvendo projetos ecológicos. Paralelo a isso, desenvolve seus trabalhos como artesã bambuzeira, colocando em prática os aprendizados adquiridos em anos de trabalho no CERBAMBU - Ravena, junto ao qual lançou seu primeiro produto de bambu, um brinquedo educativo chamado Teatro Bam Bam Bu.

    LATTES: http://lattes.cnpq.br/3062731454922952

    ORCID: https://orcid.org/0009-0006-2349-6426

  • Kátia Andréa Carvalhaes Pêgo, UEMG - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS

    Kátia Pêgo é designer de Produto (UEMG, 1996), especialialista em Planejamento e Gestão Ambiental (Uni-BH, 1999), mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável (UFMG, 2010), doutora em Systemic Design (POLITO, 2016) e pós-doutora junto ao Laboratório de Estudos Integrados em Arquitetura, Design e Estruturas LADE (UFMG, 2023) no qual buscou-se a integração entre o método de Avaliação do Ciclo de Vida com a metodologia do Design Sistêmico. Na Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (ED / UEMG) é Professora de Educação Superior (PES 6-C), docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Design (PPGD / UEMG), subcoordenadora do curso de Design de Produto (DP) e pesquisadora no Centro de Estudos, Teoria, Cultura e Pesquisa em Design (TC). Neste último, coordena projetos de pesquisa e de extensão, inclusive em parceria com instituições nacionais e estrangeira (UFMG, FUMA, UFPR, UFJF e POLITO). Atualmente integra o PROCAD-AM Comunidades criativas e saberes locais: design no contexto social e cultural de baixa renda (CAPES), promovido pela UFMA em parceria com os Programas de Pós-Graduação em Design da UEMG e da UFPR. Atua como Editora-executiva da Revista Pensamentos em Design: aspectos tangíveis e intangíveis da cultura do projeto. Participa ativamente de Grupos de Pesquisa (LADE e COMPasso). Opera como parecerista nos seguintes periódicos: Estudos em Design; Pensamentos em Design; Revista PosFAUUSP; Revista RChD Creación y pensamiento; Revista Engenharia de Interesse Social. Atua como organizadora de eventos científicos, como o Design Anthropology: um encontro com Raquel Noronha; XII Encontro de Sustentabilidade em Projeto; Design sistêmico em comunidades criativas. Autora do livro Guia para inserção de parâmetros ambientais no design de móveis de madeira (Ed. EdUEMG). Organizadora do livro Comunidades criativas e saberes locais: design no contexto social e cultural de baixa renda (Ed. Insight / PROCAD-AM / CAPES). No âmbito administrativo, trabalhou como Coordenadora do Departamento de Planejamento e Configuração (DEPC), como Coordenadora do curso de Design de Produto (DP), como Coordenadora Executiva do curso de Pós-Graduação em Design de Móveis (DM) e como Coordenadora do Núcleo de Design em Estudos da Madeira (NUMA / Ubá / UEMG). 

    LATTES: http://lattes.cnpq.br/1400735231277107

    ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8810-7598

Referências

ALBINO, Cláudia. À procura de práticas sábias: design e artesanato na significação dos territórios. Coimbra: CEARTE, 2017. 312 p.

ARAUJO, Alexandro Moura; RIBEIRO, Eduardo Magalhães. Feiras, feirantes e abastecimento: uma revisão da bibliografia brasileira sobre comercialização nas feiras livres. Estudos, sociedade e agricultura, [s.l.], v. 26, n. 3, p. 561-583, 2018.

BRASIL. Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Artesãos mineiros participam da 31ª Feira Nacional do Artesanato, 2020.

CORREA-MACANA, Esmeralda; COMIM, Flávio. Mudança climática e desenvolvimento humano: uma análise baseada na abordagem das capacitações de Amartya Sen. Economía, sociedad y territorio, [s. l.], v. 13, n. 43, p. 577-618, 2013.

ECHEVESTE, M. E.; SAURIN, T. A.; DANILEVICZ, A. M. Ferreira. Avaliação do uso de prática de ecodesign nas indústrias do Rio Grande do Sul: um estudo introdutório. Produto & Produção, v. 6, 2002.

FERREIRA, Gabriela Ramos; FARIAS, Luiza Gomes Duarte de; IZIDIO, Luiz Cláudio Lagares; NORONHA, Raquel Gomes. Codesign por meio de correspondências com a comunidade quilombola de Monge Belo. In: Anais da III Jornada de pesquisa do programa de pós-graduação em Design - UFMA. v. 10. São Paulo: Blucher, 2022.

FERREIRA JÚNIOR, Amarildo, FIGUEIREDO, Silvio Lima. O artesanato de miriti e os espaços públicos da cidade de Belém. In: CASTRO; Edna Ramos de; FIGUEIREDO, Silvio Lima (org.). Sociedade, campo social e espaço público. Belém: NAEA, 2014. 420 p.

FRY, Tony. Reconstruções: ecologia, design, filosofia. Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009. 232 p.

GORE, Tim. Confronting carbon inequality: Putting climate justice at the heart of the COVID-19 recovery. OXFAM, [s. l.], p. 1-12, 2020.

KAZAZIAN, T. (Org.). Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005.

INTERNATIONAL BAMBOO AND RATTAN ORGANIZATION (INBAR). A strategic resource for countries to reduce the effects of climate change. China, p. 1-28, 2014.

JAGTAP, Santosh. Codesign in resource-limited societies: theoretical perspectives, inputs, outputs and influencing factors. Research in Engineering Design, Karlskrona, v. 33, p. 191-211, 2022.

JANSSEN, Jules J. A. Designing and building with bamboo. INBAR, [s. l.], n. 20, p. 1-211, 2000.

OSTAPIV, Fabiano; LIBRELOTTO, Lisiane Ilha (org.). Bambu: caminhos para o desenvolvimento sustentável no Brasil. Florianópolis: Grupo de Pesquisa Virtuhab/UFSC, 2019. 204 p.

PEREIRA, Marco A. R.; BERALDO, Antonio L. Bambu de corpo e alma. [S. l.]: Canal 6, 2016. 352 p.

PEREIRA, Viviane Guimarães; PEREIRA, Miguel de Souza; BRITO, Tayrine Parreira; GOULART, Ana Luiza Vieira; PEREIRA, Samanta Borges. Expressões econômicas da feira-livre: perfil e perspectiva dos feirantes. Revista NUPEM, Campo Mourão, v. 15, n. 35, p. 205-225, 2023.

ROMANELLO, Marina; DI NAPOLI, Claudia; DRUMMOND, Paul; GREEN, Carole; KENNARD, Harry; LAMPARD, Pete et al. The 2022 report of the Lancet Countdown on health and climate change: health at the mercy of fossil fuels. The Lancet Journal, [s. l.], v. 400, n. 10363, p. 1619-1654, 2022.

SASAOKA, Silvia; PEREIRA, Marco Antônio dos Reis; SANTOS, Gabriel Fernandes dos. O pífano de bambu: o músico artífice de seu instrumento. Brazilian journal of development, [s. l.], p. 1-19, 2019.

SEBRAE. Artesanato: uma economia tecida a mãos. ASN Nacional. 2024.

VAN DER LUGT, Pablo. Design interventions for stimulating bamboo commercialization: Dutch design meets bamboo as a replicable model. 2008. PhD thesis (Design for Sustainability) - University of Technology, Delft, 2008.

WAYCARBON. Análise de vulnerabilidade às mudanças climáticas do município de Belo Horizonte. Relatório Final. Belo Horizonte: WayCarbon, 2016.

ZAMBRANO, Jorge Arturo Bello; VITERI, Carlos Gustavo Villacreses. Ventajas y desventajas del sistema constructivo con bambú frente al sistema de hormigón armado en viviendas de interés social. Polo del Conocimiento, [s. l.], v. 6, n. 9, p. 1987-2011, 2021.

Publicado

2026-02-10

Como Citar

O POTENCIAL DO BAMBU NA INTEGRAÇÃO ENTRE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL E INCLUSÃO PRODUTIVA EM TERRITÓRIOS PERIFÉRICOS URBANOS: THE POTENTIAL OF BAMBOO FOR INTEGRATING ENVIRONMENTAL AWARENESS AND PRODUCTIVE INCLUSION IN PERIPHERAL URBAN AREAS. (2026). MIX Sustentável, 11(3), 151-175. https://doi.org/10.29183/2447-3073.MIX2025.v11.n3.151-175

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)