Violência de gênero e saúde da mulher negra: abordagens feministas-marxistas desde o Brasil

Carla Benitez Martins, Karolina Dadú Nunes, Renata de Mello Mamede, Catharina Gomes Araújo Faria

Resumo


Neste artigo, procuramos, a partir da Teoria Unitária da Reprodução Social, pensar a particularidade da violência doméstica e familiar contra a mulher negra, compreendendo-a como uma questão de saúde pública urgente e grave. Utilizamos de autoras feministas-marxistas que se valem do método marxista objetivando demonstrar como os fenômenos sociais da violência de gênero e do racismo estrutural são determinantes na ordem do capital. Primeiramente, buscamos fincar as bases da noção dialética de totalidade social. Posteriormente, analisamos os fenômenos da violência de gênero e do racismo. Em seguida, compreendemos como a violência influencia diretamente na saúde das mulheres. Por fim, percebemos como tais fenômenos afetam a vida das mulheres negras no Brasil. Constatamos que a crise da reprodução social reflete no aumento e complexificação da violência, sendo necessária a construção de políticas públicas com viés anti-racista e anti-sexista, capazes de imprimir uma concepção de saúde e dignidade complexa.


Palavras-chave


Reprodução Social; Racismo Estrutural; Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; Saúde Pública.

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