Descriptografia do discurso de transferência de tecnologia como instrumento para o desenvolvimento sustentável no Protocolo de Quioto

Autores

  • Hugo Pena Universidade Federal de Santa Catarina
  • Verônica Korber Gongalves

Palavras-chave:

Protocolo de Quioto, transferência de tecnologia, desenvolvimento sustentável, fardo do homem branco, ajuda externa

Resumo

O Protocolo de Quioto estabelece apossibilidade de transferência de tecnologia de paísesdesenvolvidos para países em desenvolvimento,encarada como uma ferramenta para promoção dodesenvolvimento sustentável. O discurso danecessidade de intervir em países em desenvolvimentocom a finalidade de ajudar – que conta com oconsentimento destes – não é novo: perpassa osurgimento do próprio discurso desenvolvimentistapara encontrar suas origens no fardo do homembranco, ou o sentimento do dever civilizatório. Asimplicações da transferência de tecnologiafreqüentemente passam sem questionamento; seucaráter benéfico e necessário assume posição de rígidoconsenso. O presente artigo não parte da posição deconsenso: o objetivo é enxergar o que está por trás datransferência de tecnologia (descriptografá-la),especificamente no que se refere a seu significado paraa relação entre países desenvolvidos e emdesenvolvimento. A noção do direito-dever de ajudar,de indicar o caminho correto (o melhor caminhopossível) com idéias, instituições e tecnologiasiluminadas aos povos incapazes de fazê-lo por simesmos configura o fardo do homem branco. Este épreservado dos tempos coloniais aos dias atuais: masalém de levar a civilização (ou desenvolvimento) doNorte para o Sul, acrescenta-se, com o Protocolo deQuioto, nova função ao fardo: definir o que é “limpo”e “sustentável”.

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Publicado

2016-03-29

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