Wittgenstein e Strawson
Influências, reformulações metafilosóficas e questões atuais
Palavras-chave:
Wittgenstein, Strawson, terapêutica, análise gramatical, metafilosofiaResumo
Diante de um novo cenário informacional que reconfigura os modos de comunicação, cognição e produção de saber, a questão “o que é fazer filosofia?” adquire novos contornos metafilosóficos. Este artigo parte dessa indagação contemporânea para traçar um percurso histórico das influências que moldaram dois autores centrais da tradição analítica: Wittgenstein e Strawson; pensadores que, cada qual a seu modo, buscaram uma resposta metafilosófica capaz de iluminar a passagem da modernidade ao contexto atual. A proposta é apresentar como, a partir de heranças conceituais como a morfologia goethiana e o pensamento histórico-cultural de Spengler, Wittgenstein desenvolve uma filosofia voltada à linguagem ordinária e à cultura, e como Strawson, ao retomar e reinterpretar esse legado, propõe uma metafísica descritiva que aprofunda os compromissos analíticos com as estruturas conceituais ordinárias. O percurso adotado destaca inicialmente a relação entre Wittgenstein e Strawson no interior da filosofia britânica, evidenciando como essa interlocução promove um deslocamento do modelo terapêutico para uma análise gramatical mais sistemática. Em seguida, argumenta-se que a reinterpretação desses autores permite vislumbrar uma resposta atual à questão metafilosófica, situada entre o avanço científico, os compromissos culturais e a transformação das práticas linguísticas. Conclui-se que Wittgenstein e Strawson, embora distintos em abordagem, oferecem ferramentas conceituais complementares para enfrentar os desafios filosóficos do presente, por meio de uma reformulação crítica da tradição analítica.
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