A INICIAÇÃO CIENTÍFICA COMO CAMPO DE ESTÁGIO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Lisiane Vandresen, Maria Izabel de Bortoli Hentz, Nara Caetano Rodrigues

Resumo


Os Colégios de Aplicação foram criados no interior das universidades com a finalidade de servir de campo de estágio às práticas docentes dos cursos de licenciatura. Ao longo do tempo, foram se constituindo como espaços de ensino, pesquisa e extensão, proporcionando uma educação diferenciada, pautada em experiências inovadoras. Assim, um desafio contemporâneo tem sido desenvolver atividades de formação que envolvam diferentes linguagens, conteúdos de ensino e metodologias, caracterizando uma prática interdisciplinar. Neste texto, pretendemos problematizar a experiência de estágio docente do Curso de Letras-Português, desenvolvida em parceria entre o Colégio de Aplicação (CA) e o Departamento de Metodologia de Ensino (MEN), ambos do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nosso objetivo é dar visibilidade para o Projeto Pés na Estrada do Conhecimento e para a Iniciação Científica na escola como espaço para formação dos futuros professores de Língua Portuguesa, em uma perspectiva mais ampla de formação para atuação, considerando uma abordagem interdisciplinar. Para tanto, trazemos algumas reflexões sobre a formação de professores ontem e hoje e apresentamos alguns sentidos atribuídos pelos estagiários-professores para a experiência aqui discutida. Esse trabalho é relevante tendo em vista que nos possibilita ressignificar a formação docente em projetos inovadores no âmbito dos colégios de aplicação das universidades a partir da escuta da voz dos próprios estagiários-professores e entender a iniciação científica como campo de estágio.


Palavras-chave


formação docente; iniciação científica; interdisciplinaridade.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAUJO, M. M., RAMALHO, B. L., CAMPELO, M. E. C. H., PAIVA, M., & PINHEIRO, R. de S. L. Uma visão interdisciplinar da educação, da formação docente e da escola por António Nóvoa. Revista Educação em Questão, 11(2), 139-146, 2000. Recuperado de https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/9498.

BENJAMIN, W. Experiencia y pobreza [1933]. En Discursos interrumpidos I. Madrid: Taurus, 1982.

_____El narrador [1936] En Benjamin, W. (2001) Para una crítica de la violencia y otros ensayos. Iluminaciones IV. Madrid: Taurus. Trad. de Roberto Blatt, 2001.

CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria & Educação, 2, p. 177-229, 1990.

FERRI, C. Currículo Multicultural e a formação do professor: a busca por um profissional culturalmente comprometido. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 24, 2001, Caxambu.

GERALDI, J. W. Portos de passagem. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

_____. A aula como acontecimento. São Carlos: Pedro & João Editores, 2010.

HALTÉ, J. F. L´espace didactique et la transposition. Pratiques. Metz: Siège Social, n.97-98, p. 171-192, juin 1998.

HENTZ, M. I. B.; RODRIGUES, N. C. Desafios da formação de professores de língua portuguesa: a relação entre os saberes disciplinares/especializados e os saberes da prática. Fórum Linguístico, Florianópolis, v. 8, n. 1, p. 55-73, jan./jun. 2011, p. 55-73.

JÚLIA, D. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, n. 1, p. 9-43, jan./jun. 2001.

NÓVOA, A. Diz-me como ensinas, dir-te-ei quem és e vice-versa. In: FAZENDA, Ivani (Org.). A pesquisa em educação e as transformações do conhecimento. Campinas: Papirus, 1995.

PEREIRA, J. E. D. As licenciaturas e as novas políticas educacionais para a formação docente. Educação & Sociedade, ANO xx, nº 68, Dezembro/99, p. 109-125.

PETITAT, A. Produção da escola/produção da sociedade: análise sócio-histórica de alguns momentos decisivos da evolução escolar no ocidente. Trad. Eunice Gruman. Porto Alegre: Artes médicas, 1994.

PETITJEAN, A. La transposition didactique en français. Pratiques. Metz: Siège Social, n. 97-98, juin 1998, p. 7-34.

RODRIGUES, N. C. O discurso do professor de língua portuguesa no processo de reestruturação curricular: uma construção dialógica. 2009. 314 p. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Gradução em Linguística. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.

ROMANELLI, O. História da Educação no Brasil (1930/1973). Petrópolis, Vozes, 1984.

RORTY, R. El giro lingüístico. Barcelona: Paidós, 1998.

SILVEIRA, J. C.; SILVA, R. P.; TROTT, T. M. C. Caminhos e ensaios – Coletânea de textos de professores e alunos de 8ª série do Colégio de Aplicação-CED/UFSC. Florianópolis: Imprensa Universitária-Março/2008.

SILVA, A. L. G. da; FAZENDA, I. C. A. (2014). Formando formadores para a interdisciplinaridade: sutilezas do olhar. VOL. 1, Num. 1, Revista Diálogos Interdisciplinares- GEPFIP - ISSN 23595051 (Publicação online). Disponível em https://periodicos.ufms.br/index.php/deaint/article/view/562

SOARES, M. Que professor de português queremos formar? ABRALIN: Boletim da Associação Brasileira de Lingüística/Associação Brasileira de Lingüística – v.1 (1979), p. 211-218 – Fortaleza: Imprensa Universitária/UFC, 2001.

TARDIF, M. et al. Os professores face ao saber docente: esboço de uma problemática do saber docente. Revista Teoria e Educação, Porto alegre, n. 4, 1991, 215-233.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

TORRES SANTOMÉ, J. 5ª ed. Globalización e interdisciplinariedad: el currículo integrado. Madrid, Morata, 2006.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.