Entre o vivido e o por viver
projeto e técnica como campos de disputa nos modos populares de feitura da cidade
Palavras-chave:
Saberes populares, Técnica urbanística, Participação social, Assentamentos precários, Feitura da cidadeResumo
Este artigo problematiza os modos de feitura da cidade a partir da tensão entre saber técnico e saber popular em contextos de assentamentos precários. Com dois estudos de caso no sul do Brasil, discute-se de que maneira a técnica urbanística, tida como neutra, atua enquanto dispositivo de poder que tende a silenciar as formas populares de produção do espaço. Em contraposição, evidencia-se a emergência de práticas contra-hegemônicas que tensionam o código dominante da técnica do urbanismo e revelam modos sensíveis e insurgentes de habitar e projetar a cidade. Michel Agier, Jacques Rancière e Andrew Feenberg nos ajudam a compreender o projeto não apenas como produto, mas como campo de negociação, conflito e invenção, onde se confrontam diferentes regimes de saber e modos de vida. Ao analisar as astúcias cotidianas dos moradores e o trabalho das assessorias populares, queremos pensar a cidade como obra inacabada, permeável à democratização do saber técnico
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