O racismo algorítmico como expressão do colonialismo digital:

extração de dados, controle da informação e trabalho no capitalismo de plataforma

Autores

  • Maria Alice Silva Santos Félix Universidade Federal de Viçosa

Palavras-chave:

racismo algorítmico, colonialismo digital, capitalismo de plataforma, extração de dados, trabalho digital

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar como o racismo algorítmico se manifesta como uma expressão do colonialismo digital, aprofundando desigualdades raciais por meio da extração de dados, do controle da informação e da precarização do trabalho no capitalismo de plataforma – a uberização. Para isso, adotou-se uma metodologia qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e documental, orientada pela lente teórica do materialismo histórico-dialético. O estudo evidenciou que os sistemas algorítmicos reforçam a lógica da branquitude estrutural, restringindo o acesso de pessoas negras a espaços de decisão e reproduzindo desigualdades no mercado de trabalho digital. Além disso, verificou-se que a presente quadra histórica do capitalismo aprofunda a precarização do trabalho racializado, consolidando um novo modelo de exploração informacional. Conclui-se que o racismo algorítmico não é uma falha do sistema, mas um mecanismo de dominação, exigindo auditabilidade, regulação e políticas públicas antirracistas para romper com as bases coloniais expressas pelas tecnologias e garantir maior equidade no ambiente digital.

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Publicado

2026-03-31

Edição

Seção

Dossiê Temático

Como Citar

O racismo algorítmico como expressão do colonialismo digital: : extração de dados, controle da informação e trabalho no capitalismo de plataforma. Cadernos NAUI, [S. l.], v. 14, n. 27, p. 222–247, 2026. Disponível em: https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/naui/article/view/8262. Acesso em: 3 abr. 2026.