PRIMEIRO JARDIM DE MEL DE FLORIANÓPOLIS: IMPLEMENTANDO UMA NOVA FERRAMENTA DIDÁTICO-PERMANENTE DE EDUCAÇÃO ECOLÓGICA CRÍTICA

Francis Pereira Dias Ferreira, Luciane Rezende da Costa, Silvane Dalpiaz do Carmo, Suzani Cassiani

Resumo


Educação ambiental num contexto para além da sala de aula, através de hortas ou trilhas, vem se mostrando um ferramenta para promover conhecimentos sobre a problemática ambiental. A pedagogia de Freinet aborda metodologias de aproximação com a natureza e quebra da visão antropocêntrica ainda presente. Este estudo fez parte da disciplina obrigatória chamada Estágio Curricular Supervisionado de Ciências. Foi criado Jardim de Mel junto ao Parque Ecológico do Córrego Grande, o primeiro da cidade de Florianópolis, a fim de promover e expandir a conscientização sobre as abelhas nativas sem ferrão. Concomitantemente, realizamos oficinas no Jardim de Mel, em que investigamos as concepções dos sujeitos relacionadas à temática do mel e às abelhas sem ferrão nativas. Observamos que muitos participantes desconheciam as abelhas sem ferrão ou as confundiam com outros insetos, possuíam fobias apresentaram vários desconhecimento sobre produtos melipônicos. O discurso antropocêntrico foi averiguado ao longo das oficinas, particularmente sobre como das abelhas enxergam e são capazes de verem além da visão humana. Além disso, surpreendeu concepções sobre a  produção de mel somente como algo destinado ao consumo humano e no desconhecimento da existência do papel biológico/ecológico das abelhas. Ao concluir as oficinas avaliou-se que houve um despertar de admiração dos participantes pelas abelhas sem ferrão, necessidade de conservação e o impacto delas na flora e biodiversidade local.


Palavras-chave


Abelhas sem ferrão; Antropocentrismo; Educação Ambiental; Freinet; Jardim de Mel

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