Devir apocalíptico enquanto proposta ética para a fabulação de novos mundos
Palavras-chave:
realismo capitalista, rememoração, sonhar, realResumo
O presente trabalho parte do conceito de realismo capitalista de Mark Fisher para pensar suas implicações nos atravessamentos da constituição desejante e dos processos de subjetivação, a partir da ideia de que seria mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Apresenta, então, possíveis maneiras de saída da infertilidade imaginária promovida pelo realismo capitalista por meio da proposta de rememoração histórica de Walter Benjamin e do sonhar como produção de afetos e de cosmovisões de Ailton Krenak, pelo entendimento de que esses movimentos podem possibilitar o surgimento de novos significantes no campo político de modo a operar uma reestruturação do horizonte de possibilidades e de impossibilidades tal como ele se apresenta no plano simbólico. Para isso, o trabalho aposta em um esgotamento das influências subjetivas do realismo capitalista a partir do tensionamento com seu limite, fazendo uso do conceito de real na psicanálise lacaniana e como ele pode ser pensado na política. Por fim, entende-se que a inclusão de novos significantes no campo da política e a reestruturação simbólica que a acompanha pode propiciar novas formas de organização e de movimentação social.
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