CIDADES MEDIEVAIS DO SÉCULO XXI: ou como a forma de integrar moradia e trabalho pode fomentar processos de exclusão e inclusão territorial urbana
Palavras-chave:
Bairro, Habitabilidade, Sustentabilidade UrbanaResumo
Este trabalho se constitui uma reflexão com base bibliográfica sobre a questão da exclusão e da inclusão territorial urbanas, promovidas por configurações contemporâneas de territórios destinados prioritariamente a moradia, não havendo a intenção de serem propostas metodologias de investigação, nem de serem apresentadas conclusões. A questão da moradia das populações, quaisquer que seja o seu perfil, se apresenta como problema antigo na maioria das grandes cidades do mundo e em quase todas as épocas da história da humanidade. Modernamente, o problema continua existindo, pois a questão ainda não é plenamente conhecida. Mais recentemente, na última década, em algumas metrópoles brasileiras tem sido observado que, o aumento da complexidade da mobilidade e violência
urbanas, tem sido usado como justificativa para a concepção de um novo modelo de moradia destinado a populações de renda média e alta: condomínios residenciais auto-suficientes, ou áreas integradas de múltiplos usos, e em especial, áreas que integram moradia e trabalho, que em última instância, podem ser comparadas metaforicamente ao modelo de morar do período medieval. Procedida a análise do referencial bibliográfico sobre o tema, se entende que, a concepção de condomínios “completos” que buscam atender a expectativa específica de uma forma de vida de um grupo de indivíduos, se apresenta como solução que mascara uma questão maior: o acesso a terra.