Floripa: um nome próprio feminino por trás do apelido geográfico?

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Resumo

O objetivo da presente pesquisa é investigar o emprego do termo Floripa como nome próprio feminino antes da cidade de Desterro ser rebatizada como Florianópolis, em 1894, e a disseminação da antiga alcunha como um apelido da capital de Santa Catarina, na década de 1970. O estudo oferece subsídios para sustentar a hipótese de que o termo Floripa não surgiu como abreviação, e sim como um nome próprio, raro o suficiente para ser pouco reconhecido em seu antigo emprego, mas adequadamente homófono a Florianópolis para ser revestido com a ideia de abreviação na década de 1970, um período de transformações urbanas que colocaram em jogo o imaginário sobre a cidade. Por meio da consulta a jornais brasileiros do século XIX, via Hemeroteca Digital Nacional, foram encontradas diversas referências a mulheres denominadas Floripa, Floripes e Florípedes, nomes de possível origem ibérica ao tomar como base o Auto de Floripes, e que depois foram utilizados como apelidos de Florianópolis. Logo, a palavra Floripa pode ter combinado doses de familiaridade para alguns e de ineditismo para muitos, o que pode ter favorecido sua adoção em uma época de reforço dos discursos acerca do pertencimento em relação à cidade, mesclando na mesma palavra tradição e modernidade.

Biografia do Autor

  • Víctor Daltoé dos Anjos, Universidade de São Paulo (USP)

    Doutorando em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Mestre em Ciência Política (UFSC).

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Publicado

2026-07-14