Masculinidade hegemônica na adolescência: Reflexões a partir da série Euphoria

Bruno Guilherme Hoffmann Fallgatter, David Laurent da Silva, Luiza Rodrigues Melo, Marina de Carvalho Gama

Resumo


O presente trabalho propõe refletir sobre os impactos da masculinidade hegemônica na adolescência a partir da análise da série Euphoria. Através da observação sistemática direta e não-participante de cenas selecionadas da série, buscou-se analisar as implicações da heteronormatividade e do sexismo, além de compreender a influência da figura paterna na corroboração de práticas características da masculinidade hegemônica e o impacto que estes fatores possuem na vida de adolescentes do gênero masculino.  Observou-se que há uma hierarquia de subordinações desde o nascimento na sociedade patriarcal, embora a subordinação do homem seja apenas temporária. Soma-se a isso a influência paterna no adolescente sobre a externalização de alguns sentimentos, por meio da violência física, e a internalização de outros em busca de um ideal de masculinidade, ou seja, há uma carência de uma paternidade positiva. Em meio a isso, vale ressaltar a construção social da masculinidade hegemônica como carregada de valores de subordinação e depreciação da mulher, resultando em atitudes sexistas e misóginas por parte dos homens. Ademais, outro ponto importante para o trabalho foi a heteronormatividade como uma expectativa de conduta nas relações sociais.

Texto completo:

PDF

Referências


Alves, J. E. D. (2004). A linguagem e as representações da masculinidade. Rio de Janeiro: CDDI/IBGE

Badinter, E. (1992). XY: De l’identité masculine. Odile Jacob.

Baére, F., & Zanello V. (2020). Suicídio e masculinidades: uma análise por meio do gênero e das sexualidades. Psicologia em estudo, 25, 1-15. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722020000100208

Baumrind, D. (1991). The influence of parenting style on adolescent competence and substance use. The journal of early adolescence, 11(1), 56-95.

Beiras, A. & Duarte, C. S. (2015) Contribuições da participação da figura masculina e da coparentalidade para o desenvolvimento integral da criança na primeira infância. In G. A.

Böing, E., & Crepaldi, M. A. (2016). Relação pais e filhos: Compreendendo o interjogo das relações parentais e coparentais. Educar em Revista, (59), 17-33.

Brannon, R., & David, D. (1976). The male sex role: Our culture's blueprint of manhood, and what it's done for us lately. The forty-nine percent majority: The male sex role, 1-48.

Bourdieu, P. (1999). A dominação masculina. Rio de janeiro: Bertrand Brasil

Chodorow, N. (1990). Psicanálise da maternidade: uma crítica a Freud a partir da mulher. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 206.

Connell, R. W. (1997). La organización social de la masculinidad.

Diniz, F. R., & Oliveira, A. A. (2014). Foucault: do poder disciplinar ao biopoder. Scientia, 2, (3), 143-157. Disponível em: http://www.faculdade.flucianofeijao.com.br/site_novo/scientia/servico/pdfs/VOL2_N3/FRANCISCOROMULOALVESDINIZ.pdf

Drake, A., Yardeni, T., & Leshem, R. (Produtores executivos).(2019). Euphoria [TV série]. HBO

Erikson, E. H. (1968). Identity: Youth and crisis (No. 7). WW Norton & company.

Harari, Y. N. (2015). Sapiens: uma breve história da humanidade. L&PM.

Ministério da Saúde. (2017). Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicidio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Boletim epidemiológico, 48 (30), 1-14. Recuperado de: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/acolha-a-vida/bibliografia/2017025PerfilepidemiologicodastentativaseobitosporsuicidionoBrasilearededeatenaoasade.pdf

Nolasco, S. (1993). O masculino: um dilema contemporâneo. NOLASCO, Sócrates. O mito da masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, 17-40.

Papalia, D. E., & Feldman, R. D. (2013). Desenvolvimento humano. Artmed editora.

Peres, R.S., Santos, M.A.,& Coelho, H.M.B. (2004). Perfil da clientela de um programa de pronto-atendimento psicológico a estudantes universitários. Psicologia em estudo [online],9(1), 47-54.

Pinho, R., & Pulcino, R. (2016). Desfazendo os nós heteronormativos da escola: contribuições dos estudos culturais e dos movimentos LGBTTT. Educação e Pesquisa, 42(3), 665-681.

Pollack, W. S. (1995). No man is an island: Toward a new psychoanalytic psychology of men. Basic Books.

Rondinelli, P. (2013). A construção da masculinidade a partir de tabus corporais: considerações no campo da saúde (Tese de Doutorado, Integração da América Latina, Universidade de São Paulo, São Paulo) doi:10.11606/T.84.2013.tde-31032014-121900.

Scott, J. (1995). Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & realidade, 20(2).

The mask you live in. Direção: Jennifer Siebel Newsom. Estados Unidos: The Representation Project; The Annenberg Foundation; The Brin Wojcicki Foundation; Novo Foundation; Pacific Gas and Electric; Peery Foundation, 2015. (97 min) color.

Torrão Filho, A. (2005). Uma questão de gênero: onde o masculino e o feminino se cruzam. cadernos pagu, (24), 127-152.

Velascos, C., Caesar, G. & Reis, T. (2020, março 5). Mesmo com queda recorde de número de mulheres, Brasil tem alta no número de feminicídios em 2019. Portal de notícias do G1. Monitor de violência

Vieira, M. L., Bossardi, C. N., Gomes, L. B., Bolze, S. D. A., Crepaldi, M. A., & Piccinini, C. A. (2014). Paternidade no Brasil: revisão sistemática de artigos empíricos. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 66(2), 36-52.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.