Seu canto é bonito quando tem luar: ética prático-cotidiana em quatro itans
Résumé
No presente texto, partimos do pressuposto de que a cultura afrobrasileira, resultado das relações afrodiaspóricas foi subalternizada, impondo-se a cultura hegemônica de matriz ocidental e moderna. O processo de subalternização inicia-se com o regime escravagista e se alastra até os nossos dias, onde observamos o declinar dos sentidos perceptivos da cosmovisão afrodiaspórica e suas formas de contraposição pela ressignificação dos sentidos da abjeção. Ao subsumir estas culturas, ignora elementos fundamentais e constituintes da cultura afro-brasileira que veiculizam uma ética relacionada, dentre outros aspectos, ao meio ambiente, que nos aproxima de modo comunitário a esta. A noção de comunidade que a cultura afro-brasileira contém, é fundamental para conviver organicamente em sociedade e reconhecer a natureza como elemento constituinte de si. Dentre os mecanismos utilizados para a subalternização, identificamos o silenciamento epistemológico e o apagamento da historicidade, notados por Góes (2013) e Lourenço (2021). Nesse contexto, os itans ocupam um lugar fundamental. Eles superam a noção de mito ou relato para serem narrativas constituintes, narrativas que carregam uma ética, pensando a ética nos moldes que Enrique Dussel (1986) propõe. Esta ética se caracteriza por ser contra hegemônica e comunitária. Neste texto, nos propomos, através da análise de quatro itans da Orixá Iemanjá (220, 221, 230 e 231, do livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi (2023)), evidenciar elementos desta ética subalternizada que circula fundamentalmente nos terreiros de candomblé e entre seus praticantes e simpatizantes. Metodologicamente, utilizaremos categorias de análise propostas pela AD peuchetiana.
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