A reclusão como ritual de passagem em contos de magia
Resumen
Analisa-se, no presente artigo, a reclusão como agente de mudanças em narrativas maravilhosas, especialmente em contos clássicos de magia, enquanto processo simbólico de transição. Longe de representar punição, o confinamento de personagens – frequentemente entre jovens – em espaços como torres, florestas ou outros ambientes de clausura, constitui um limiar dedicado à maturação, reflexão e transformação. Tal operação remete aos antigos rituais de passagem, nos quais o sujeito se afasta de sua condição anterior e atravessa provações que o conduzem a novas configurações. Interpretada por teóricos como Propp, Campbell e Vogler, essa dinâmica dialoga com a noção de arquétipo, desenvolvida por Carl Gustav Jung. Desse modo, os contos de magia revelam sua função arquetípica ao mobilizarem, por meio do isolamento e do enfrentamento de conflitos, o percurso de transformação do personagem, isto é, do eu-anterior ao eu-posterior, enquanto preparação simbólica aos devires da existência.