A pólis e o cidadão katá phýsin: uma leitura sobre a natureza da cidade na República IV de Platão

Adriel Fonteles de Moura

Resumo


Neste artigo, apresentaremos uma leitura sobre o problema concernente à formação natural da cidade (pólis) de acordo com o Livro IV da República (Politéia) de Platão. Afinal, é possível falar de uma natureza (phýsis) própria da pólis no contexto da obra? Se sim, quais são os fatores que a caracterizam a fundação natural da cidade? Para examinarmos este problema, dividimos este artigo em três etapas. A primeira etapa consiste em investigar o que é a natureza na esfera da República e verificar se há alguma correlação de identidade ou diferença entre a natureza humana e a natureza política. Na sequência, avaliaremos qual é o papel da educação (paidéia) na realização da natureza política e humana. Trata-se de mostrar que, para Platão, a educação é a única forma de levar a pólis a se unir comunitariamente na busca do bem (agathón), em favor da fundação natural da cidade. Na última etapa deste artigo, trabalharemos com a hipótese de que a justiça (díkē) é o princípio da fundação natural da cidade. Neste caso, também analisaremos as diferenças e similitudes entre a justiça individual (dikaiosýne) e a justiça política. Em síntese, o objetivo deste trabalho é analisar até que ponto o conceito de natureza se aplica à formação da cidade e até que ponto a natureza do cidadão reflete ou é reflexo da natureza da cidade. 


Palavras-chave


História da Filosofia Antiga; Platão; Ética; Filosofia Política

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