Sartre Leitor de Freud

Diego Rodstein

Resumo


Sartre faz uma série de objeções ao projeto psicanalítico freudiano, sendo o foco de suas críticas o conceito de inconsciente. Em sua obra O Ser e o Nada, Sartre se preocupou em retirar da consciência qualquer resquício ontológico essencial. Seguindo tal ideia, vemos que na quarta parte Ter, Fazer e Ser, ele apresenta argumentos voltados para a tese de que o inconsciente não pode habitar o campo do sujeito, pois isso levaria a uma série de predeterminações que romperiam com sua proposta de uma consciência nadificada. Postular uma instância que determine a consciência, que não seja ela própria e que participe diretamente em suas escolhas intencionais implica, segundo Sartre, um consciente-inconsciente, ou seja, uma contradição. Por outro lado, podemos ver que nas leituras de Sartre em relação à psicanálise freudiana, o autor francês tece certos elogios, demonstrando que não busca um distanciamento total, mas sim uma renovação dos modos pelos quais a psicanálise se aplica ao sujeito. Sartre quer evitar determinações que sejam conflitantes com o sujeito intencional, como se mostra na proposta freudiana do inconsciente. Para a psicanálise existencial, o sujeito decide por si através de seus atos intencionais livres, não havendo determinantes ontológicos que possam delimitar tais atos. Sendo assim, nossa busca será apresentar a crítica que Sartre faz à psicanálise freudiana, focando em conceitos chave como o inconsciente, a má-fé e a intencionalidade, tendo o devido cuidado de entender que as críticas que Sartre faz a Freud também devem passar por uma investigação minuciosa.


Palavras-chave


Fenomenologia, Psicanálise, Consciência, Inconsciente, Intencionalidade.

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