O Problema da Fonte da Inteligibilidade em Ser e Tempo

Júlia Garcia Tronco

Resumo


O artigo analisa o problema da fonte da inteligibilidade na fenomenologia hermenêutica de Martin Heidegger. Partindo da analítica existencial na qual entes humanos descritos como ser-aí (Dasein) são ser-no-mundo, Heidegger reconhece que os entes ganham identidade e significação no interior do mundo, este, compreendido como espaço de significatividade. Os entes disponíveis no interior do mundo são significativos em função do mundo, desse modo, já aparecem imersos em contextos estruturados de sentido e imediatamente inteligíveis ao ser-aí. Diversos estudiosos da obra do filósofo alemão questionam a origem da inteligibilidade e do que constitui esse espaço de sentido. O ponto central do problema consiste em identificar qual seria a estrutura existencial que é responsável pela constituição do espaço de sentido. O artigo faz uma reconstrução do debate sobre a fonte da inteligibilidade a partir das contribuições de Charles Guignon – o qual defende que a fonte da inteligibilidade é a linguagem – e de Hubert Dreyfus – que sustenta que são as normas ou práticas públicas do impessoal (Das Man) que originam a inteligibilidade. A partir dessas posições, Pierre Keller e David Weberman sustentam que ambas estão equivocadas, e defendem que a origem da inteligibilidade se encontra na temporalidade.


Palavras-chave


Heidegger, inteligibilidade, discurso, temporalidade, impessoal

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Referências


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