MASLD: A EPIDEMIA SILENCIOSA DO FÍGADO
Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica - Aspectos Embriológicos, Anatomopatológicos, Fisiopatológicos, Clínicos e Terapêuticos
DOI:
https://doi.org/10.32963/26fh3p32Resumo
Introdução: A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) é o acúmulo de gordura no fígado sem relação com o uso de álcool, geralmente assintomática, configurando uma epidemia silenciosa. Atinge 25-30% da população, sobretudo homens, obesos e diabéticos, e seu diagnóstico é dificultado pela falta de biomarcadores específicos.
Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, conduzida por meio de busca sistemática em bases de dados científicas nacionais e internacionais, incluindo PubMed/MEDLINE, SciELO e Cochrane Library, além de obras de referência indexadas predominantemente entre 2013 e 2024. Revisão: Do ponto de vista embriológico, o fígado origina-se do endoderma do intestino anterior na 3ª semana de gestação, dando origem aos hepatócitos e às vias biliares, estruturas que, posteriormente, podem sofrer agressões metabólicas que levam à MASLD. Localizado no hipocôndrio direito e sendo a maior glândula do corpo, o órgão é organizado em quatro lobos, com dupla irrigação: pela artéria hepática (sangue oxigenado) e pela veia porta (nutrientes). Além de produzir bile, atua no metabolismo de carboidratos, lipídios, proteínas e na desintoxicação. Histologicamente, na MASLD a lesão se apresenta por vacúolos de gordura nos hepatócitos, podendo evoluir para inflamação com balonização hepatocelular e presença de corpúsculos de Mallory-Denk. A doença, estreitamente associada à síndrome metabólica, decorre de desbalanço no metabolismo lipídico que gera estresse oxidativo, necrose e inflamação (esteatohepatite), com risco de progressão para carcinoma hepatocelular. A desregulação metabólica e as reações inflamatórias participam dos mecanismos patológicos centrais, incluindo o aumento da liberação de triglicerídeos na circulação e o acúmulo lipídico hepático e vascular. Esses desequilíbrios favorecem o caráter multissistêmico da doença, manifestando-se como dislipidemia, aterosclerose, resistência à insulina e alterações da microbiota intestinal. Em conjunto, esses fatores aumentam a produção de citocinas inflamatórias, agravam a lesão hepática e elevam o risco de complicações cardiovasculares — principal causa de mortalidade. Além disso, a MASLD resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais e metabólicos. Polimorfismos em genes como PNPLA3 e TM6SF2 aumentam o acúmulo de gordura hepática e o risco de progressão para esteatohepatite e fibrose. Clinicamente, é silenciosa nas fases iniciais, com sintomas inespecíficos como fadiga, hepatomegalia discreta ou desconforto no hipocôndrio direito. Em estágios avançados de fibrose, podem surgir icterícia, ascite e edema de membros inferiores. O manejo prioriza mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividade física e dieta hipocalórica). A cirurgia bariátrica é eficaz na obesidade mórbida e o transplante hepático constitui a última opção em estágios terminais. Avanços farmacológicos incluem o Resmetirom (primeiro aprovado para a doença) e agentes promissores em estudo (agonistas de GLP-1, Pan-PPAR e inibidores de SGLT2). Assim, prevenção primária, diagnóstico precoce e abordagem multidisciplinar são essenciais para conter a progressão sistêmica da doença. Conclusões: Fortalecer políticas públicas de rastreamento e educação em saúde é crucial para frear seu avanço silencioso e mitigar seu impacto crescente na população.
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