Catequese como missão: A circularidade cultural e religiosa após a colonização

Cauana Harz Lima

Resumo


A chegada dos europeus nas Américas foi contemporânea às fogueiras inquisitoriais e as reformas religiosas. Após o concílio de Trento, realizado em 1545, estipula-se como ordem a evangelização no outro continente, dessa forma, os padres de diversas companhias penetram as matas brasileiras em busca da catequese dos nativos. Os costumes e as culturas encontradas no novo solo diferenciam-se radicalmente do ideal pregado pelos missionários, os hábitos indígenas foram ligados à bruxaria, ao profano e as idolatrias europeias. O objetivo dessa pesquisa será analisar fatores básicos relativos à estrutura social e religiosa durante o encontro entre os dois mundos, a circularidade cultural e a criação do imaginário mítico durante a colonização do Brasil, levando em consideração a alteridade retratada na imagem do nativo. Busca-se compreender também, alguns aspectos importantes da colonização espanhola, o choque religioso produzido nesses territórios e as formas de resistências frente aos ataques dos colonizadores. Com mescla de diferentes perspectivas religiosas e culturais, o Novo Mundo tornou-se berço de constantes relações sincréticas, o diabo e seus agentes que assombravam os indivíduos europeus são trazidos para a nova terra, o mal passa a ser representado a partir de então, através das práticas nativas, tal como o canibalismo retratado fortemente na iconografia da época.

Palavras-chave


Catequese; Imaginário; Cultura; Ameríndios; Religião

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