Políticas Editoriais

Foco e Escopo

Captura Críptica é a Revista Discente do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGD-UFSC). De periodicidade anual, o objetivo primordial da revista é incentivar a produção acadêmica e difundir o conhecimento nos campos da dogmática crítica e da propedêutica jurídica, além de incentivar manifestações artísticas e literárias que dialoguem com o direito ou a política.

 

Políticas de Seção

Captura Críptica

Verificado Submissões abertas Não verificado Indexado Não verificado Avaliado pelos pares

Captura

Verificado Submissões abertas Verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares

Críptica

Verificado Submissões abertas Verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares

Traduções

Verificado Submissões abertas Verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares

Resenhas

Verificado Submissões abertas Verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares

Verbetes

Verificado Submissões abertas Verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares

Entrevistas

Verificado Submissões abertas Não verificado Indexado Verificado Avaliado pelos pares
 

Processo de Avaliação pelos Pares

A Revista compreende 8 (oito) seções, quais sejam: Captura; Críptica, Captura Críptica; Dossiê; Entrevistas; Verbetes; Resenhas e Traduções.

  1. Captura: artigos e ensaios voltados às práticas e normatividades jurídicas, privilegiando-se perspectivas críticas;
  2. Críptica: artigos e ensaios voltados à reflexão das dimensões teórica, filosófica, histórica, política, sociológica, econômica e antropológica do Direito;
  3. Captura Críptica: textos, manifestos e produções artísticas e literárias;
  4. Dossiê: dedicada aos trabalhos que discutam o pensamento de grandes autores no campo do Direito ou temas atuais de importância para a área, escolhidos anualmente pelos membros do Corpo Editorial;
  5. Entrevistas: realizadas junto a atores sociais que transitem pelas áreas correspondentes às linhas editoriais da revista;
  6. Verbetes: textos que discorram sobre um vocábulo ou expressão, conceito ou instituto, que comportem múltiplas interpretações ou significados, veiculando temas atuais relacionados às linhas editoriais da revista;
  7. Resenhas: de obras das várias áreas do conhecimento, desde obras clássicas a recentes, dando-se preferência às análises críticas cujo teor ultrapasse o simples resumo;
  8. Traduções: de originais de textos científicos da grande área das ciências humanas, bem como de textos artísticos e literários considerados de restrito acesso aos falantes de língua portuguesa, desde que devidamente autorizadas pelo autor do texto original.

É condição para publicação que os trabalhos estejam contemplados pela política editorial da revista, exposta acima, satisfazendo, sobretudo os critérios da criticidade e originalidade. A consulta à apresentação da Revista (Manifesto) e aos seus editoriais anteriores pode auxiliar na compreensão da proposta de sua política editorial.

 

Periodicidade

A revista possui publicação anual, sendo amplamente divulgado o período para submissão de trabalhos através de edital próprio.

 

Política de Acesso Livre

Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

 

Arquivamento

Esta revista utiliza o sistema LOCKSS para criar um sistema de arquivo distribuído entre as bibliotecas participantes e permite às mesmas criar arquivos permanentes da revista para a preservação e restauração. Saiba mais...

 

Manifesto

As Línguas do P: as objetivas da captura, os objetivos da críptica

Dentro-Fora; Dispositivo-Profanação; Captura-Críptica. A série corresponde ao desafio que o editorial de Captura Críptica: direito, política, atualidade, revista dos Discentes do PPGD/UFSC, busca reavivar.

Quem conhece o mundo do direito sabe que é ele que nos captura e não nós a ele. Isto é o que dizem os que não conhecem o direito. Conhecê-lo passa por deixar o pedestal do saber certo e absoluto. Conhecê-lo significa reconhecê-lo sempre. Sem dúvida, somos nós, como uns tantos a nós iguais, os capturados, enjaulados, enovelados pelo direito. Não abdicamos de sê-lo. Mas isto não quer dizer nada mais do que aceitarmos este como nosso espaço, nosso hábitat, nosso campo de combate. Fazê-lo seria terrível.

Por sermos nós os mesmos que aceitam, mas ao mesmo tempo põem-se contra as bases desta própria aceitação, cremos importante dizer quem somos nós. E nós somos estes que crêem descrendo, fazem destruindo, falam ouvindo.
O mundo do direito, que miríades dizem ano a ano conhecer como a palma de suas mãos – ou seja, como bacharéis –, não nos permite outra postura, senão a de visibilizar a captura. Ela decorre de seu próprio desenvolvimento como uma arma a ser usada por poucos infantes. Mas a guerra se faz com outras armas, assim como a crítica se faz com outras línguas. Um p nos separa dos quantos que como nós foram catapultados para o mundo sem volta e sem cores vivas do acinzentado, sóbrio e polido direito.

Mais, porém. O mesmo p nos une em torno dessa própria separação. Muito difícil é encontrar um elo, um motivo para um laço, uma causa para a nossa guerra. Menos difícil, entrementes, achá-los para a nossa distinção. E assim nem tudo nos divide.
Um p, portanto, nos coloca frente ao apavorante comum. Na captura inevitável de quem caminha por onde caminhamos, todos, há uma possível marcha que se sincroniza conforme o chão se compacta e conforme as fileiras se desencontram. No seu caos, nós nos encontramos.

A críptica é um passo atrás e um p à frente. O resgate – diríamos, a captura – que procuramos é aquele que nos faz acertar as contas com um passado tão efêmero como o momento instantâneo do agora. O programa, por sua vez, é o que a fotografia não consegue registrar ainda, é o ladrilho sempre incompleto de um caminho que redunda no horizonte, é a crise que crava seus dentes nas costas do contemporâneo e nos lega como o critério a infinita tarefa de continuar sangrando. Até que nosso p seque; até que ele seja desnecessário. Mas o fato é que não é. Pouco palpável, ele surge; e do asfalto.

Com um p atrás, a crítica jurídica apagou as intensidades que permitiam precisar os lugares de abandono do direito: eis o que constitui o paradoxo atual da crítica – o seu poder ser capturada, ser transformada em dispositivo de acomodação ou em função vazia; servir ao poder descrevendo precisamente o que pode ser capturado por ele. Nossa recuperação para um p à frente é de uma partição essencial entre dentro do direito (Captura) e a possibilidade de seu fora (Críptica), de constituir objetos que, embora possam ser capturados, sujeitados, esfarelados, fazem dispersar os dispositivos, criam um tempo e um espaço que o poder não alcança, ao menos momentaneamente, na infinitude do átimo em que se tornou o presente.

Crítica, cujo sentido etimológico resgatamos, apesar de uma definição corrente a colocar ao lado da decisão sobre o valor de uma obra, por exemplo, vem de “krimein”, do grego, e significa quebrar – quebrar a obra para colocá-la em crise; apenas após a crise é que virá – não a decisão, que traz consigo uma alusão ao arbitrário –, mas o julgamento: uma faculdade que não pode basear-se senão no exercício do p, que também é exercício de pensamento.

Hoje, poucos, com efeito, quebram, e muitos dedicam suas sobre-vidas a colar os cacos de seus ídolos ou a nomeá-los seus centauros particulares, a fim de continuarem aconchegados ao calor frívolo de suas mitologias.

A partir da miséria da crítica jurídica, vem nascer a Captura Críptica: que se debruça sobre o sedimentado e ausculta o futuro. A tentativa de fazer, por um momento, mais que a Críptica da Captura, a arrebentação da Captura na Críptica: um princípio de quebra e um movimento interminável: nunca confortável, nunca aconchegante… maldito e inquieto, como fazer amor nas noites frias dos desertos do direito.

Os editores.